O dinheiro é rei e imperador entre os motivos que levam os fumadores a abandonar de vez o hábito do tabaco, sugere uma nova pesquisa norte-americana. “A melhor forma para incentivar alguém a deixar de fumar é oferecer-lhe dinheiro”, afirmou Scott Halpern, médico e professor na Universidade da Pensilvânia e coordenador daquele estudo, em declarações à publicação CBS News. A experiência científica, publicada no periódico The New England Journal of Medicine, observou 6,006 fumadores em 54 empresas, nos Estados Unidos.

Entre eles, os investigadores classificaram 1,191 deles como “dispostos a desistirem”, aos quais foram facultadas diferentes ferramentas para os ajudar na ‘batalha’. Um dos grupos recebeu literatura acerca dos benefícios de abandonarem o vicio, juntamente com encorajamento positivo – menos de 1% foi bem sucedido e deixou de fumar durante um período de seis meses. Um outro grupo recebeu ajuda em forma de pastilhas e adesivos, neste caso 2,9% largaram o vício. Já um terceiro grupo, recebeu cigarros eletrónicos (que vaporizam nicotina), num sabor à sua escolha, apenas 4,8% abandonaram os cigarros. Entretanto, dois outros grupos receberam um bónus extra: dinheiro.

A um dos grupos foi oferecido pastilhas, adesivos e um bónus de 100 euros após o primeiro mês, que subiu para 200 euros no terceiro mês, e para 300 no sexto. No final, 9,5% dos voluntários tinha deixado de fumar. Ao outro grupo foi-lhes dado qualquer produto que desejassem e que achassem que pudesse facilitar o processo, no entanto receberam uma ameaça… 600 euros seriam retirados das suas contas bancárias se falhassem. Neste caso, 12,7% dos fumadores conseguiu permanecer afastado dos cigarros durante seis meses. Mais ainda, metade dos indivíduos que atingiram o marco dos seis meses mantiveram-se abstémios por um ano.

“As pessoas mostraram-se muito mais motivadas, quando se tratava de evitar perder 100 euros, do que os ganhar como bónus, ainda assim, economicamente falando, trata-se de lados diferentes da mesma moeda”, disse Halpern. A pesquisa chega na mesma altura que está a ser colocada em causa a eficácia dos cigarros eletrónicos no auxílio a quem pretende deixar de fumar. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, norte-americano, salienta que apesar desses aparelhos serem menos prejudiciais para a saúde do que os cigarros tradicionais, apresentam ainda assim riscos associados já que contém “agentes cancerígenos”.