DA REDAÇÃO

Estava aqui lendo uns artigos sobre ciúme e resolvi compartilhar com vocês! Quem nunca sentiu ciúmes? Algumas pessoas justificam certas atitudes ciumentas dizendo que serve para dar um gostinho a mais no relacionamento, mas será? O que significa o ciúme? Aqui vamos falar mais de ciúmes considerados exacerbados.

Todos nós já sentimos algum tipo de ciúme, a proporção e o significado dado a isso é o que está sujeito a diferentes analogias e interpretações. Cientificamente, o ciúme tem sido considerado por muitos estudiosos como uma reação de adaptação, tendo evoluído juntamente com a espécie humana como um tipo de defesa contra o abandono e a infidelidade (presente desde os primórdios!).

Você pode ter sua concepção sobre o ciúme, seja ele para se proteger, para preservar uma relação ou porque tem em si uma necessidade de posse imensa, mas seja qual for sua justificativa, encontramos três aspectos no ciúme. Primeiro, a reação frente a uma ameaça percebida; segundo a existência de um “outro”, real ou imaginário; e terceiro, a reação que tem como objetivo eliminar o risco de perda do objeto amado.

Pode-se falar de ciúme justificado e injustificado. O primeiro é direcionado para pessoas com as quais o parceiro tem alguma relação e você acha que existe alguma ameaça. O injustificado, como o próprio nome sugere, se dirige a toda e qualquer pessoa que o parceiro tenha relação, inclusive familiares, sendo causa de transtornos importantes dentro da relação.

Infelizmente, no campo do ciúme diferenciar o real do imaginário não é algo fácil. O que inicialmente eram somente dúvidas podem se transformar em delírios. A busca por respostas para a comprovação gera comportamentos como telefonema surpresa, chegar à casa sem avisar, seguir a pessoa, contratar de detetives, examinar bolsos ou bolsas, roupas íntimas, procurar cheiros de perfumes, vasculhar o celular. Neste padrão de ciúme, por mais que a pessoa busque respostas, as dúvidas nunca serão satisfeitas.

Apesar do ciumento(a) dizer que a única coisa que pretende é preservar a relação, a partir do momento que o ciúme se enquadra na sua manifestação patológica, sentimentos como raiva, vergonha, medo da perda, explosões emocionais e até reações violentas, são os que acabam predominando. Segundo a terapeuta Marilandes Braga, o ciúme vem de dentro da pessoa e se liga à baixa de auto-estima e à insegurança. Dentro deste contexto, o psiquiatra Eduardo Santos afirma que o ciúme nada mais é que um sentimento voltado para a própria pessoa que o sente, representando o medo de perda do outro ou de sua exclusividade sobre ele.

E a tão falada Síndrome de Otelo?

Então, essa síndrome do famosíssimo personagem de Shakespeare, caracteriza- se pelo ciúme desmedido e irracional. Portadores dessa síndrome se encaixam no padrão de ciúme patológico, cuja vontade de controlar o comportamento e os sentimentos do parceiro é predominante. Na síndrome de Otelo há desejo intenso de controle total dos sentimentos e comportamento do companheiro. Os relacionamentos anteriores do parceiro passam a gerar uma preocupação exacerbada, além do medo irracional da perda. Existe caso relatado na literatura em que a mulher marcava o pênis do parceiro e conferia ao fim do dia se a marca continuava intacta.

O ciúme patológico pode ser diagnosticado ainda que o parceiro considerado infiel realmente o seja ou tenha sido. O indivíduo vive uma montanha- russa de emoções como ansiedade, depressão, raiva, vergonha, humilhação, culpa, aumento do desejo sexual e o desejo de vingança. Além destes sentimentos estarem ligados a atitudes violentas, o ciúme neste nível está muito relacionado a outras doenças psiquiátricas, a principal associação é com o Transtorno Obsessivo Compulsivo, o TOC .

Ainda nesta variação excessiva do ciúme, há a interpretação conclusiva de evidências de infidelidade a partir de fatos não significativos, a pessoa se recusa a mudar suas crenças mesmo frente a informações conflitantes, e tendem a acusar o parceiro de infidelidade com muitas outras pessoas.

Segundo Hintz, a aparição de ciúme excessivo com um sentimento de posse sobre o cônjuge e um temor de perdê-lo, originados pela existência de uma insegurança pessoal, leva a uma diminuição do respeito à pessoa amada. Desta maneira, o ciúme demonstra um sinal de instabilidade emocional acentuada, confundindo amor com posse.

De fato, o ciúme está presente em toda relação, em maior ou menor proporção. O importante é a identificação de quando ele passa da medida racional em relação às situações corriqueiras, podendo se expressar como paranoia. Comportamentos exacerbados podem ser detectados facilmente (admitir pode ser o maior problema), sendo a pressão excessiva e o desejo incontrolado de investigação da vida do outro um sinal de que se precisa de ajuda profissional.