DA REDAÇÃO

POR MARIANA VIANA MOREIRA*

*Mariana Viana Moreira é clínica geral e atua nos Hospitais de Tanhaçu, Anagé, Cândido Sales e Maetinga (PSF).

*Mariana Viana Moreira é clínica geral e atua nos Hospitais de Tanhaçu, Anagé, Cândido Sales e Maetinga (PSF).

Na prática diária da medicina, podemos observar que a automedicação é mais frequente do que se imagina, apesar dos alertas veiculados por todos os meios de comunicação.

Tomar um remédio sem prescrição diante de uma dor de cabeça, por exemplo, ou pedir a opinião de um amigo ou, o que é pior, do próprio balconista da farmácia sobre qual medicamento ingerir em determinadas ocasiões, é sem dúvida uma atitude irresponsável tanto por parte de quem faz uso como de quem faz a indicação.

A automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se tem conhecimento.

Este já é considerado um problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINTOX), em 2014, os medicamentos foram responsáveis por 35% de todas as notificações de intoxicação.

O uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que a utilização inadequada pode esconder determinados sintomas. Se o remédio for antibiótico, a atenção deve ser sempre redobrada.

O uso abusivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência de microorganismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos.

Apesar de, no Brasil, já ser proibida a venda de antibióticos sem receita médica, não são poucas as farmácias que fornecem o produto com uma simples solicitação verbal do usuário. O mesmo se aplica à venda de outros medicamentos controlados, como é o caso de psicotrópicos.

Outra preocupação em relação ao uso do remédio refere-se à combinação inadequada. Neste caso, o uso de um medicamento pode anular ou potencializar o efeito do outro. O uso de remédios de maneira incorreta ou irracional pode trazer, ainda, consequências como: reações alérgicas, dependência e até a morte.

Providências já estão sendo tomadas no Brasil e em outros lugares do mundo para que este excesso seja reduzido, de forma que as pessoas utilizem medicamentos apenas com supervisão médica.

Para incentivar o uso racional de medicamentos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também desenvolve ações na área de farmacovigilância.Um exemplo é o programa Rede de Hospitais Sentinela, que reúne um conjunto de hospitais e unidades de todo o país.

Cada hospital integrante da rede possui um responsável por notificar efeitos adversos ou quaisquer problemas relacionados a medicamentos.

A Agência também já lançou um programa para o ensino fundamental onde os jovens têm contato com jogos educativos e material didático para o entendimento do uso racional de medicamentos.

Independentemente de medidas políticas para coibir a automedicação, cabe com maior eficácia, a conscientização individual para que possamos modificar esta cultura que já ceifou tantas vidas preciosas.