DO BEM ESTAR

Provab 2013 mandará profissionais a 1.407 municípios do país. Eles passarão um ano ganhando bolsa de R$ 8 mil ao mês.

Mais de 4 mil médicos aderiram ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) em 2013 e passarão um ano trabalhando em áreas carentes de profissionais de saúde em todo o país, anunciou nesta quinta-feira (28) o Ministério da Saúde.

A ideia do programa é promover a qualificação médica por meio de atendimento em unidades básicas na periferia de grandes cidades, municípios do interior, com populações carentes e de regiões remotas.

Ao todo, são 4.392 médicos que trabalharão na atenção básica em 1.407 municípios, recebendo bolsas de R$ 8 mil mensais. Só para pagar essas bolsas, o governo terá de desembolsar R$ 35 milhões ao mês. O previsto é que os médicos comecem a trabalhar nos lugares para os quais foram designados já a partir do início de março.

A região que receberá mais médicos é o Nordeste, com 2.494, seguida do Sudeste, com 1.018. O Sul terá 370 profissionais, o Centro-Oeste, 269, e o Norte, 241. “39% dos médicos vão para periferias de capitais e municípios de regiões metropolitanas”, destacou Mozart Salles, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

Para o ministro Alexandre Padilha, o Provab, ao qual haviam aderido 381 médicos em 2012, é um passo importante para melhorar o atendimento de saúde nos lugares que mais precisam e, também para formar profissionais mais humanistas e mais próximos da realidade da população. “São regiões que têm dificuldade em manter médico até por um mês. São lugares que pela primeira vez vão ter médico por um ano”, explicou.

Do total de médicos inscritos, segundo a pasta, 39% irão para periferias de capitais e de municípios de regiões metropolitanas, e 14% vão paralocalidades rurais e de pobreza elevada. “Chamo a atenção para o fato de que 40 desses médicos optaram por trabalhar na saúde indígena e ficarão nos distritos especiais sanitários indígenas”, apontou Padilha.

Acessemed opina

Como o valor da bolsa é considerado aviltante para um salário de médico, levando-se em conta que o imposto de renda é implacável para estes profissionais, desses 8 mil reais, os bolsistas ficarão com pouco mais de 6 mil reais. Isto quer dizer que logo, logo, deixarão esta atividade para alçar voos mais altos, principalmente nas cidades do nordeste, onde as prefeituras pagam mais de 11 mil reais para trabalhar nos PSFs.

O Governo Federal precisa rever seus conceitos com relação ao profissional de medicina, nas provas de concurso os valores oferecidos são sempre discrepantes em comparação com o que é oferecido a juízes e auditores, por exemplo. Quem preserva a saúde e salva a vida de seres humanos deveria ser remunerado com mais dignidade.

O médico precisa estar sempre atualizado, precisa investir em cursos e livros (sempre muito caros), viajar para assistir a congressos, com o objetivo de atender cada vez melhor seus pacientes. Sendo assim, o salário do médico deve ser sempre alto. Até porque o curso de medicina lhe custou muito em dinheiro, tempo e desgaste físico e mental. Os governantes precisam reconhecer isto.