DO DIÁRIO DO NORDESTE

POR GABRIELA RAMOS

Apesar do movimento, casos emergentes serão atendidos. Os planos ganharam 1,9 mi de clientes a mais em 2011

Mesmo com a indicação por parte dos planos de saúde de que a paralisação dos médicos não afetará o atendimento, as entidades médicas do Ceará reforçam que ela irá ocorrer amanhã – seguindo a tendência nacional.

Os pacientes que devem ser mais afetados são os com consultas e cirurgias marcadas para a data. Os casos emergentes serão atendidos normalmente, diz o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), José Maria Pontes. O objetivo, destaca o presidente do Simec, é reivindicar contra os baixos honorários pagos e também contra a pouca autonomia na relação do médico com os pacientes.

No Brasil, são cerca de 48 milhões de usuários de saúde suplementar, com 77% em planos coletivos, segundo dados levantados por entidades médicas nacionais. De 2010 para 2011, houve aumento de 4,2% de clientes de planos de saúde, correspondendo a 1,9 milhão de pessoas.

De acordo com José Maria, o protesto, que irá durar um dia, pretende chamar atenção da sociedade e do poder público e insistir nas negociações

Pressão

“Em alguns casos, há pressão para não pedir exames caros, dar alta aos pacientes. Às vezes, o cliente precisa de uma cirurgia ou um exame e o plano diz que ele não tem direito, mesmo ele tendo”, reclama. Essa é a quarta paralisação dos médicos de planos de saúde desde 2011.

O presidente revela que, por consulta, os médicos recebem uma média que varia entre R$ 40 e R$ 45. “O médico que vive só de consulta não consegue cobrir as despesas”, comenta. Ele diz que entre os anos de 2000 e 2011, a inflação acumulada alcançou 119,9%, enquanto os reajustes dos planos somaram 150,89%. Porém, os honorários não atingiram os 50%, destaca. Além da Simec, o Conselho Regional de Medicina e a Associação Médica Cearense participam do movimento.

Em torno de 170 mil médicos atuam por meio das operadoras no Brasil. Os consultórios atendem uma média de oito planos, segundo dados da Federação Nacional dos Médicos, da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina.

Contraponto

Por meio de nota, a Unimed Fortaleza afirmou que “os clientes continuarão tendo à disposição todos os serviços de atendimento da rede própria, que permanecerá funcionando integralmente”. O Hapvida disse que “não haverá descontinuidade no atendimento”, ressaltando possuir rede própria. A Amil comentou que, “embora o movimento seja de âmbito nacional, os atendimentos médico-hospitalares estão preservados em todo País”.

Usuários

48 mi de pessoas são atendidas por planos de saúde em todo o País. Em torno de 170 mil médicos atuam por meio de operadoras