Campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogia
DO ESTADO DE SÂO PAULO
POR FERREIRA GULLAR (articulista, crítico de arte, escritor e poeta)
A CAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.
Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão “burguesa” para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias “avançadas” ou “libertárias”, quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso.
Certa vez, declarou a um jornal que “as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles”. E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: “Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu”.
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra “manicômio”, já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais.
Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou “solitárias” para segregar o “doente furioso”. Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental.
Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso.
A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar.
No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de “repressão burguesa”, resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo.
Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre.
Entrevista de Ferreira Gullar à Resvista Época
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Eu tenho uma irmã com problemas mentais e faz tratamento psiquiatrico, porem quando da surtos a mesma ataca quem estiver por perto e com o que ela tiver nas mãos agrediu minha mão com machado, e não podemos fazer nada contra a lei nao consegue fazer nada contra, porem se ela vitimar alguma pessoa quem respondera pelos erros dela é a minha mãe. Então acho que tem varios tipos de pessoas e para quem esta fora é muito lindo falar. porem a lei não nos protege em nada com este tipo. comparando estas pessoas ficam iracional no momento do surto se comparando com animal ferroz, não tem piedade.
Eu tenho uma irmã com problemas mentais e faz tratamento psiquiatrico, porem quando da surtos a mesma ataca quem estiver por perto e com o que ela tiver nas mãos agrediu minha mãe com machado, e não podemos fazer nada contra a lei nao consegue fazer nada contra, porem se ela vitimar alguma pessoa quem respondera pelos erros dela é a minha mãe. Então acho que tem varios tipos de pessoas e para quem esta fora é muito lindo falar. porem a lei não nos protege em nada com este tipo. comparando estas pessoas ficam iracional no momento do surto se comparando com animal ferroz, não tem piedade.
Eu tenho uma irmã com problemas mentais e faz tratamento psiquiatrico, porem quando da surtos a mesma ataca quem estiver por perto e com o que ela tiver nas mãos, ja chegou a agredir minha mãe com machado, e não podemos fazer nada contra e a lei faz a proteção da mesma, porem se ela vitimar alguma pessoa quem respondera pelos erros dela é a minha mãe. Então acho que tem varios tipos de pessoas e para quem esta fora é muito lindo falar. porem a lei não nos protege em nada com este tipo. comparando estas pessoas ficam iracional no momento do surto se comparando com animal ferroz, não tem piedade.
Concordo em tudo o que o Jailson falou essa lei é ridícula,só quem está dentro é que sente na pele,tenho uma colega que está sofrendo com o filho que tem surtos pisicóticos violentos,ele bate nela,foge pra rua bate em quem encontrar,e ela (a mãe) não consegue uma internação pra ele de jeito nenhum,ela vive de manchas roxas pelo corpo de tanta porrada que ele dá nela,ela está um trapo,já pediu ajuda á todos e nada.Já tentei ajudar de várias formas mas não consegui nada.
Olá…Gostaria muito que a pessoa que inventou essa lei viesse passar uma semaninha apenas em minha casa. para cuidar de um irmão que tenho de 55 anos que está me deixando maluca…
É duro com as palavras, violento em alguns momentos e possue uma habilidade para convencer as pessoas que vocês não podem imaginar…O laudo de dois psiquiatras forense diz que ele é desorientado, sem atenção, percepção, com inteligência subjetivamente inferior aos limites da normalidade e que sua memória é completamente prejudicada. Diagnóstico: Oligofrenia e epilepsia. Sinceramente quem inventou essa lei , não pode sentir na pele o que passamos no dia a dia…Estou a procura de uma clínica para ele, particular, é claro… porque se não serei eu a internada num manicômio.Obrigada a todos os leitores e especialistas que nos entendem. Iolanda
gostei muito da entrevista que o poeta ferreira gular deu á revista época sobre ser demagogia esta campanha contra a internaçao de doentes mentais porque somente pessoas que vivem este drama sabe o que é conviver com pessoas assim.tenho uma irmã com esquizofrenia e ela morava junto com minha mãe que faleceu á tres meses.minha mãe já era uma pessoa idosa e não suportava mais conviver com inumeras crises da minha irmã,ela não se cuidava,so se preocupava com minha irmã até que adoeceu e não resistiu.desde que minha mãe morreu minha irmã vive sozinha na casa da minha mãe,pois não posso morar na mesma casa que ela,já que tenho duas crianças em casa.ela é agressiva,não gosta de tomar banho,faz xixi na cama,sinceramente ela está vivendo pior que um animal.não posso cuidar dela,pois tenho um bebê de tres meses para cuidar e já vou voltar atrabalhar.ela ficou sozinha e mesmo assim ainda acham certo ela não ser internada vivendo nesta precariedade que ela vive.
são todos uns hipócritas que inventaram esta lei,pois eles não sofrem na familia este tipo de problema.esta lei é só para prejudicar os mais pobres porque os ricos colocam seus doentes nas clinicas ou casas de repouso.já tentei de várias formas um lugar para coloca-la mais até agora nada.não sei mais o que fazer.
eu tenho minla mãe com probremas também não sei mais o quer faze e eses probremas dela esta a fetamdo o meu caamemto não sei o quer fazer a minhla viva esta um enfermo meus irmãos noa culda dela e so eu nao poso trabahla .
eu tenho minla mãe com probremas também não sei mais o quer faze e eses probremas dela esta a fetamdo o meu caamemto não sei o quer fazer a minhla vida esta um enfermo meus irmãos noa culda dela e so eu nao poso trabahla .
PARABÉNS PELO DEPOIMENTO, É MAIS UMA VOZ EM FAVOR DAS FAMÍLIAS CARENTES Q TANTO PRECISAM INTERNAR UM ENTE QUERIDO, E NÃO PODE FAZÊ-LO. POIS NÃO TEM CONDIÇÕES CONDIÇÕES FINANCEIRAS. ATUALMENTE ESTAMOS COM UM IRMÃO Q JÁ MATOU UMA PESSOA, TENTOU ALGUMAS VEZES CONTRA MINHA VIDA E DUAS CONTRA MEU OUTRO IRMÃO E NÃO SABEMOS O Q FAZER. SOMO PESSOAS POBRES, ESTAMOS TENTANDO MEAR A PENSÃO DO NOSSO PAI, APARA AJUDAR EM UM INTERNAMENTO(POIS FICOU P/A MADRASTA), E O INSS, RECUSA E MANDA A GENTE INGRESSAR COM O LOAS, ORA SÓ QUEREMOS PARTILHAR ALGO Q JÁ EXISTE.E ACREDITAMOS Q NOSSO IRMÃO TENHA DIREITO. TALVEZ ACONTEÇA O Q FERREIRA FALO NOSSO IRMÃOSERÁ MAIS UM MORADOR DE RUA.
É uma pena que as pessoas ainda acreditam que o isolamento por si só possa ser curativo em qualquer aspecto.
O Hospital Geral pode atender sem riscos de cronificação aqueles que estejam em surto, ou com alguma forma aguda de transtorno psíquico. A internação asilar é resquício de um tempo onde o rei mandava limpar as ruas das cidades através deste mecanismo.
Demagogia é defender os interesses pessoais revestido de pensador pequeno burguês que tem medo de perder o próprio status.
Ana, que papinho mais socialistinha, esse termo burguês é horrível!
Se a família não tem como cuidar da pessoa, é dever do governo cuidar desta pessoa, porém em uma instituição que dê todo o amparo necessário para o doente crônico. Ninguém quer que ele fique jogado as traças, mas ele precisa de cuidados de quem o saber dar e a sociedade também precisa de proteção, pois sinceramente, muitos doentes são um risco para os familiares e para a sociedade.
essa lei é a unica que presta nesse pais pois quando um familiae seu esta doente o melhor remedio è o amor!
Somente o amor não coloca alimentos e remedios na casa da pessoa doente.
É necessario que aja acompanhamento medico psicológico para o doente e, é somente desta maneira que a familia poderá ter a tranquilidade para cuidar de um esquizofrenico, principalmente aquelas que não tem recurso nenhum e vivem com dificuldades e nunca tiveram conhecimento intelectual para buscar soluções para um caso como este. Feliz de voce que não precisa de remédios e tratamentos psquiatricos.
Gullar falou sobre haldol e amplictil como remedios que encurtam a internação,entretanto são ultrapassados.Temos hoje medicações muito mais rápidas e eficazes inclusive com muito menos efeitos colaterais.Algumas destas sob a forma de depósito em injeções intra-musculares com duração de efeito e controle da doença entre 7 e 28 dias usadas para os q se negam a toma-las por via oral.Não há justificativa para internação em manicômios(e são ainda manicômios)diante de um tratamento bem conduzido por equipe multidisciplinar seja nos CAPS públicos ou consultórios particulares.A verdadeira demagogia vem dos empresários de hospitais