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Cirurgião Geral fala sobre apendicite

da Redação do Acessemed.com.br

por Aloísio Meira*

Apendicite é a inflamação do apêndice cecal, um pequeno órgão parecido com o dedo indicador de uma luva, de aproximadamente 10 cm., localizado abaixo e no lado direito do intestino grosso. O apêndice apresenta um canal (luz) em seu interior que se comunica com o intestino, contendo fezes ainda em fase líquida.

A função do apêndice não é conhecida, apesar de haver uma grande concentração de tecido especializado na defesa imunológica em sua parede. Normalmente ele inflama por causa de uma infecção ou de uma obstrução do sistema digestivo. Se não for tratado, o apêndice infectado pode romper-se (estourar) e esparramar a infecção para a cavidade abdominal e para a corrente sangüínea. Neste caso, o quadro é considerado dramático e o paciente pode evoluir para óbito.

A parede do apêndice contém tecido linfático e participa na produção de anticorpos.
O apêndice parece ser apenas um resquício evolutivo, que se não é de todo inútil, também não parece fazer falta nenhuma quando retirado cirurgicamente.
O apêndice normalmente produz um volume constante de muco que é drenado para o ceco e se mistura nas fezes.

O seu grande problema é ser a única região de todo o trato gastrointestinal que tem um fundo cego. Qualquer obstrução à sua saída para o ceco faz com que esse muco se acumule, e conforme a dilatação do apêndice vai ficando maior, começa a haver obstrução dos vasos sanguíneo e necrose da sua parede. O processo pode evoluir até o rompimento do mesmo.

O intestino é rico em bactérias e quando o apêndice fica obstruído e inflamado, elas conseguem invadir a sua parede e alcançar a circulação e o peritônio (membrana que recobre todo o trato intestinal).
Existem várias causas para essa obstrução. Em jovens é comum ocorrer um aumento dos tecidos linfáticos em resposta a alguma infecção viral ou bacteriana. Como o diamêtro interior do apêndice tem menos de 1 cm, qualquer aumento na sua parede pode obstruir a saída.

Em idosos, o mais comum é a obstrução por pedaços ressecados de fezes. Também existe a possibilidade de obstrução por neoplasia ou por vermes intestinais.

Sintomas da apendicite:

Falta de apetite; dor abdominal que normalmente começa de forma difusa, no meio do abdome (ao redor do umbigo) e que com o tempo (horas) desloca-se para a parte inferior direita; febre baixa, náuseas, vômitos, distensão abdominal, dor quando o lado direito do abdome é tocado, mudança no padrão intestinal, incapacidade de eliminar gases, queda do estado geral.

O quadro clínico descrito acima ocorre em aproximadamente 40% dos casos. Nos casos restantes, ele pode ter variações que confundem e retardam o diagnóstico.
Nem todos com apendicite apresentam todos os sintomas. A dor piora quando a pessoa se move, respira profundamente, tosse ou espirra. Pessoas com esses sintomas devem procurar um médico imediatamente.

Se a pessoa tiver sintomas de apendicite, ela não deve tomar laxantes para aliviar a constipação intestinal, pois estes remédios aumentam a chance do apêndice supurar (estourar). Além disso, deve-se evitar remédios para aliviar a dor antes de ser avaliado por um cirurgião geral, porque estes medicamentos podem mascarar os sintomas de apendicite e podem tornar o diagnóstico difícil.

O médico irá revisar sua história clínica, perguntando sobre os sintomas digestivos habituais e os atuais, incluindo detalhes sobre as últimas evacuações: duração, freqüência, características (diarréicas ou duras), e se as fezes têm sangue ou muco.
Ele fará um exame físico detalhado e irá apalpar a parte mais baixa, à direita de seu abdome.

Se o paciente for criança, o médico irá se certificar se a criança segura sua mão quando ele tocar o local onde dói. Em uma criança, os quadris dobrados (joelhos flexionados para cima) e o abdome tenso podem ser pistas importantes no diagnóstico.

Depois do exame físico, o médico solicitará um Hemograma Completo (exame de sangue) para checar sinais de infecção e um exame de urina I (sumário) para descartar uma infecção urinária. Ele pode solicitar uma ultrassonografia ou uma tomografia computadorizada de abdome (a TC) para ajudar na investigação clínica, porém o diagnóstico de apendicite em geral não precisa destes exames. Em crianças muito jovens, uma radiografia de tórax pode ser necessária para afastar o diagnóstico de pneumonia.

Tratamento:

A apendicite aguda é tratada com cirurgia para remover o apêndice. A recuperação da operação demora algumas semanas. O médico geralmente receita medicação para dor e pede ao paciente limitar a atividade física. A maioria das pessoas se recupera de forma excelente e raramente precisa de alterações na dieta ou estilo de vida.

*Aloísio Meira é cirurgião geral do Hospital São Vicente (Santa Casa de Misericórdia de Vitória da Conquista-BA), Hospital Geral de Vitória da Conquista (Hospital de Base) e Hospital Municipal de Anagé-BA

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503 respostas para “Cirurgião Geral fala sobre apendicite”

  • Sequelas em casos de cirurgia, qualquer que seja, é passível de ocorrer. Lembre-se de que se você não tivesse sido operada, certamente, teria morrido, então, alguma sequela deverá ser entendida como “custo-benefício”.

  • Falta de apetite é providência do próprio organismo, que ainda não está habilitado a receber maiores cargas digestivas. Quanto ao caroço pode ser um ponto de inflamação, percalço da cicatrização, que tende a melhorar com o decorrer do tempo.

  • Isso é normal e esperado. Melhora com o decorrer do tempo.

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